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Public Policies for the Regulation of Prostitution in Mozambique: Ethical and Legal Frameworks

 

Políticas públicas de regulação da Prostituição em Moçambique: enquadramentos éticos e jurídicos

 


Por: Inocêncio Fernando Luís [1]

Resumo

O presente artigo analisa a problemática da regulação da prostituição em Moçambique enquanto objecto de políticas públicas, a partir de enquadramentos éticos e jurídicos orientados pelos direitos humanos. Trata-se de um estudo teórico-analítico de natureza qualitativa, baseado numa revisão narrativa da literatura científica e na análise documental da legislação nacional e de relatórios institucionais. Argumenta-se que a inexistência de um enquadramento normativo específico mantém as pessoas que exercem a prostituição numa situação de vulnerabilidade social, jurídica e sanitária, contribuindo para a exclusão, a violência e a negação de direitos fundamentais. Sustenta-se que políticas públicas de regulação, fundamentadas nos princípios da dignidade humana, da justiça social e da saúde pública, podem constituir um instrumento eficaz de mitigação de riscos associados à exploração sexual e à marginalização social. Reconhece-se, contudo, que a implementação dessas políticas enfrenta resistências de natureza moral, cultural e religiosa, profundamente enraizadas na sociedade moçambicana. Conclui-se que a viabilidade da regulação da prostituição depende da capacidade do Estado de promover um diálogo inclusivo e de conciliar valores éticos coletivos com a garantia do direito à sobrevivência e à cidadania plena.

Palavras-chave: Prostituição; Políticas Públicas; Direitos Humanos; Ética; Moçambique.

Public Policies for the Regulation of Prostitution in Mozambique: Ethical and Legal Frameworks

Abstract

This article examines the regulation of prostitution in Mozambique as an object of public policy, drawing on ethical and legal frameworks grounded in human rights. It is a qualitative, theoretical-analytical study based on a narrative review of scientific literature and documentary analysis of national legislation and institutional reports. The study argues that the absence of a specific regulatory framework places individuals engaged in prostitution in situations of social, legal, and health vulnerability, contributing to exclusion, violence, and the denial of fundamental rights. It contends that regulatory public policies, grounded in principles of human dignity, social justice, and public health, may serve as effective instruments for mitigating risks associated with sexual exploitation and social marginalization. However, the implementation of such policies faces moral, cultural, and religious resistance deeply rooted in Mozambican society. The article concludes that the feasibility of regulating prostitution depends on the State’s ability to foster inclusive dialogue and reconcile collective ethical values with the guarantee of the right to survival and full citizenship.

Keywords: Prostitution; Public Policies; Human Rights; Ethics; Mozambique.


LER NA ÍNTEGRA 




[1] Inocêncio Fernando Luís, natural da cidade de Quelimane, província da Zambézia. É Licenciado em Administração Pública pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Posteriormente, prosseguiu a sua formação académica obtendo o grau de Mestre em Ciência Política, Governação e Relações Internacionais pela Universidade Católica de Moçambique (UCM), na Faculdade de Ciências Sociais e Políticas (FCSP), na cidade de Quelimane. Especializou-se em Educação Inclusiva pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS), campus Machado, no Brasil. Actualmente, é Doutorando em Ciência Política e Relações Internacionais na UCM e, simultaneamente, Doutorando em Ciências da Educação, com especialização em Educação Inclusiva e Pedagogia Diferenciada, na Universidade Jean Piaget de Moçambique. No âmbito profissional, é Funcionário Público do Serviço Provincial de Justiça e Trabalho da Zambézia, estando afecto à Conservatória do Registo Civil de Nicoadala. Paralelamente, exerce actividades académicas como docente a tempo parcial na Universidade Aberta – ISCED e docente a tempo parcial no Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA), na cidade de Quelimane. É igualmente Director Financeiro e fundador da Associação Moçambicana pela Inclusão e Necessidades Adaptadas (AMINA), uma organização dedicada à promoção da inclusão social e educativa de pessoas com necessidades especiais. No ano de 2025, publicou o artigo científico intitulado “Inclusão de Crianças com Deficiências no Ensino Primário em Moçambique”, apresentado no Congresso Internacional Movimentos Docentes, publicado nos Anais do CMD 2025 (Vol. III), no Brasil.

 

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